Repertório da Bibliografia Filosófica Portuguesa (1988-2016):

em permanente actualização

Com este Repertório pretendemos colmatar uma lacuna, a nosso ver, relevante: o inventário de todas as obras que se produzem nas diferentes áreas filosóficas em Portugal. Começamos a partir do ano de 1988 porque os anos anteriores estão já cobertos por outro inventário (Bibliografia Filosófica Portuguesa 1931-1987, organização de Maria de Lourdes Sirgado Ganho e Mendo Castro Henriques, Verbo, 1988).

O critério que, ao longo deste Repertório, seguimos na selecção das obras foi um critério largo. Para além das obras de inequívoco cariz filosófico, academicamente reconhecidas enquanto tais, procurámos seleccionar para cada área um conjunto de obras que possa propiciar um olhar filosófico tão alargado quanto possível. Obviamente, é este um critério contestável, na medida em que abre lugar a obras cujo cariz filosófico será, para muitos, por inteiro imperscrutável. Preferimos, contudo, “errar” por excesso do que por defeito.

Uma palavra final de agradecimento ao Professor Doutor Leonel Ribeiro dos Santos, que primeiramente nos exortou à concretização deste projecto, e ao Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, que editou uma primeira versão deste Repertório (2007).

Esta versão, entretanto estendida até ao ano de 2016, estará em permanente actualização.

 

Renato Epifânio

 

Estrutura do Repertório.

1 Tradição Filosófica Geral.

a) Autores/ Perspectivas

b) Perspectivas Gerais.

1.1 Tradição Filosófica Portuguesa.

a) Autores/ Perspectivas

b) Perspectivas Gerais.

2 Da Filosofia – conceitos.

2.1 Da Filosofia/ tradição científica e tecnológica.

2.2 Da Filosofia/ tradições mitológicas, religiosas e sapienciais.

3 A Filosofia Hoje.

a) Autores/ Perspectivas

b) Perspectivas Gerais.

3.1 Do Ser e do Conhecimento.

3.2 Da Linguagem e da Literatura.

3.2.1 Filosofia da Arte/ Estética.

3.2.2 Filosofia da Cultura e Comunicação.

3.3 Do Humano.

3.3.1 Filosofia da Educação/ Pedagogia.

3.3.2 Ética/ Filosofia dos Valores.

3.3.3 Filosofia da Natureza e do Ambiente.

3.4 Da Polis.

3.4.1 Filosofia do Direito.

3.4.2 Filosofia Política e Económica.

3.4.3 Filosofia da História e da Civilização.

4 Diversos: Dicionários e outras obras de apoio técnico.

 

Como é dado constatar, dividimos o Repertório em três secções. De forma sucinta, justifiquemos tal divisão:

1          Tradição Filosófica Geral.

Na primeira secção, desde logo, coligimos todas as obras que corporizam o que podemos designar como a Tradição Filosófica, ou seja, as obras das figuras clássicas da História da Filosofia, a começar pelos Gregos – aqui arrumámos também, em alinhamento deslocado, todas as obras que se constituem como “análises críticas” das obras dessas figuras, bem como ainda, em “b) perspectivas gerais”, retrospectivas, integrais ou parciais, dessa nossa Tradição.

1.1       Tradição Filosófica Portuguesa.

Ainda na primeira secção, incluímos as obras que, no âmbito mais vasto da tradição filosófica (ocidental, sobretudo), configuram, mais especificamente, a tradição filosófica portuguesa. Partindo do conceito de filosofia de Francisco da Gama Caeiro, segundo o qual esta “surge-nos, em concreto, como expressão de vida espiritual duma Cultura”[1], usámos aqui, nesta subsecção, um critério ainda mais largo, incluindo algumas obras literárias, poéticas – nomeadamente, os Sonetos de Antero de Quental, expressão máxima da demanda filosófica anteriana[2] –, bem como algumas obras que, incidindo directamente sobre a nossa Cultura e a nossa História, acabam por, indirectamente, suscitar algum interesse filosófico. Como é óbvio, não referimos aqui todas as obras filosóficas escritas por portugueses – se o fizéssemos, este Reportório teria apenas uma divisão. Assim, há muitos nomes que aparecerão apenas na secção “A Filosofia Hoje”. Em compensação, incluímos aqui algumas obras editadas noutros países (sobretudo no Brasil), bem como algumas dissertações defendidas em Universidades estrangeiras.

2          Da Filosofia – conceitos.

Depois de fazer a retrospectiva da nossa Tradição Filosófica, vale a pena equacionar os vários conceitos de Filosofia – essa foi, pelo menos, a nossa perspectiva. Para tal, reunimos uma série de obras que nos permitirão constatar esse pluralismo conceptual. Depois, em duas subsecções, confrontámos a Filosofia com os seus dois grandes “outros”: a Ciência e a Religião.

2.1       Da Filosofia/ tradição científica e tecnológica.

Na primeira subdivisão, coligimos uma série de obras sobre filosofia da ciência, história da ciência e ainda algumas outras mais estritamente científicas, no pressuposto de que a filosofia não pode actualmente ignorar certos domínios da investigação científica – como, nomeadamente, o da física quântica, o da biologia molecular, etc. – dadas todas as consequências – desde logo, ontológicas – que daí têm resultado.

2.2       Da Filosofia/ tradições mitológicas, religiosas e sapienciais.

Na segunda subdivisão, reunimos uma série de obras das mais variadas “tradições mitológicas, religiosas e sapienciais”, sobretudo as de carácter reflexivo, em detrimento das de natureza meramente apologética – a par das obras da “filosofia da religião”, “ciência do mito”, etc.

3          A Filosofia Hoje.

Começámos, nesta secção, por referir as obras dos mais significativos pensadores contemporâneos, nomeadamente, daqueles que mais têm sido objecto de estudos académicos. Neste ponto prévio, sem qualquer circunscrição temática, indicaremos, após as obras dos próprios autores, em alinhamento deslocado, todas as obras que sobre esses autores foram publicadas no período em causa. Depois, e porque uma das características da filosofia contemporânea é, precisamente, a sua especialização, subdividimos esta secção em quatro alíneas.

3.1       Do Ser e do Conhecimento.

A primeira, referimo-la ao “perpétuo” objecto da filosofia: o Ser e, cumulativamente, o Conhecimento. Daí o vasto universo desta alínea: Ontologia, Epistemologia, Fenomenologia, Filosofia da Mente, Filosofia Analítica, etc.

3.2       Da Linguagem e da Literatura.

A segunda alínea, referimo-la à Filosofia da Linguagem, nela incluindo todas as disciplinas em que a questão da Linguagem é axial, como a Hermenêutica e a Semiologia, bem como a própria Filosofia da Literatura. Esta alínea, por sua vez, tem duas subdivisões: a primeira relativa à Estética e à Filosofia da Arte, a segunda à Filosofia da Cultura e da Comunicação.

3.2.1    Filosofia das Artes/ Estética.

Nesta primeira subdivisão, seleccionámos não apenas as obras sobre Estética ou Filosofia da Arte, mas igualmente obras em que se reflecte sobre a natureza de cada arte em particular – nomeadamente, o cinema, a música, a pintura, etc.

3.2.2    Filosofia da Cultura e Comunicação.

Nesta segunda subdivisão, por sua vez, elegemos como horizonte primacial a Filosofia da Cultura. No âmbito desta, emerge igualmente a temática da Comunicação, em algumas das suas formas.

3.3       Do Humano.

A terceira alínea, referimo-la, genericamente, ao “Humano”, ou seja, a tudo o que, filosoficamente, concorre para a Antropologia. Dizemos “tudo”, ou “quase tudo”, porque, de facto, aqui encontraremos as mais diversas abordagens do ser que somos, ou procuramos ser – desde a origem do humano enquanto tal até à questão do princípio antrópico, desde a diferença masculino-feminino até à diferença humano-robot, desde a reflexão sobre a Dor, a Doença e a Morte até à questão do Prazer, etc. Para que, contudo, não caíssemos na tentação antropocêntrica, senão mesmo antropolátrica, incluímos, nesta alínea, três subdivisões, que, progressivamente, alargam o ângulo de abordagem de que aqui partimos.

3.3.1    Filosofia da Educação/ Pedagogia.

Nesta primeira subdivisão, é ainda a questão do humano, da sua educação, desde a infância, que está em jogo.

3.3.2    Ética/ Filosofia dos Valores.

Nesta segunda subdivisão, o ângulo de abordagem alarga-se já ao “outro”, ainda que esse “outro” seja ainda humano. Entramos no domínio da Ética e da Filosofia dos Valores – aqui encontraremos, para além de reflexões mais amplas, alguns questionamentos sobre dilemas éticos clássicos e de hoje – nomeadamente, a eutanásia e a clonagem.

3.3.3    Filosofia da Natureza e do Ambiente.

Nesta terceira subdivisão, por fim, a questão não é já apenas a relação entre humanos, mas a integração do humano na Natureza – esta será igualmente aqui tratada em si própria, por via das mais diversas abordagens.

3.4       Da Polis.

Na quarta e última alínea da terceira secção deste Repertório, a Polis, ou a Sociedade, será a questão matricial. Num primeiro momento, coligimos obras em que a questão aparece tratada dos mais variados modos – desde o questionamento das diversas formas de agrupamento social até à problematização da Cidade enquanto lugar social do humano por excelência. Num segundo, terceiro e quarto momentos – a que correspondem as três subdivisões desta alínea –, procurámo-nos centrar num horizonte mais determinado.

3.4.1    Filosofia do Direito.

Assim, nesta primeira subdivisão, a Filosofia do Direito foi o tema escolhido – ainda que as obras coligidas até ao momento não sejam em grande quantidade, pensamos que esta subdivisão se justifica.

3.4.2    Filosofia Política e Económica.

Nesta segunda subdivisão, uma das mais extensas até ao momento, coligimos uma série de obras em que se enunciam, comentam ou contestam as mais diversas teorias políticas e económicas – a maior parte de âmbito global, algumas de âmbito mais localizado.

3.4.3    Filosofia da História e da Civilização.

Nesta terceira subdivisão, procurámos escolher obras de maior alcance, não só retrospectivo como também, e sobretudo, prospectivo. Aqui encontraremos igualmente obras em que se questiona a própria História enquanto disciplina.

 

Notas técnicas:

De modo a evitar uma saturação do Repertório, seguimos os seguintes critérios:

- no caso de uma obra ter tido mais de duas edições ao longo do período em causa, indicamos apenas a primeira e a última verificadas durante esse tempo.

- no caso das teses de mestrado ou de doutoramento já publicadas, acrescentamos apenas aos dados relativos à publicação a informação de ser uma tese académica e a Universidade e o ano em que foi defendida.

 

Usámos igualmente as seguintes siglas e abreviaturas:

BN - Biblioteca Nacional

CFUL - Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa

DPG - Dissertação de Pós-Graduação

FCG - Fundação Calouste Gulbenkian

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia

ICALP - Instituto de Cultura e Língua Portuguesa

IBNL - Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro

IN-CM - Imprensa Nacional – Casa da Moeda

INIC - Instituto Nacional de Investigação Científica

JNICT - Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica

OT - Outros trabalhos académicos

TD - Tese de Doutoramento

TL - Tese de Licenciatura

TM - Tese de Mestrado

UBI - Universidade da Beira Interior

UC - Universidade de Coimbra

UCP - Universidade Católica Portuguesa

UE - Universidade de Évora

UL - Universidade de Lisboa

UM - Universidade do Minho

UNL - Universidade Nova de Lisboa

UP - Universidade do Porto

UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro

(a designação das restantes Universidades aparece tão-só abreviada, de modo a evitar equívocos)



[1] Cf. “A Noção de Filosofia na Obra de Manuel Antunes”, in Homenagem a ManuelAntunes, Lisboa, FLUL, 1986, p. 21.

[2] Tal como o próprio Antero o assumiu – cf., a título de exemplo, Cartas II, “Obras Completas”, vol. VI, organização, introdução e notas de Ana Maria Almeida Martins, Lisboa, Universidade dos Açores, Editorial Comunicação, 1989, p. 747: “Posso dizer que está ali o melhor da minha vida, aquela parte mais alta da nossa vida, que, justamente por ser já humana e não só individual, temos como que o direito de impor à atenção dos outros.”.